“Mas fomos feitos de luz, além de carbono e oxigênio e merda e morte e outras coisas, e enfim estamos aqui desde que a beleza do universo precisou de alguém que a visse.” (Eduardo Galeano)
“Jornal”: Daqui a pouco você se torna um sexagenário. Você acha quevai se emendar algum dia?
R: Emendar? Olha, velho, o grande problema do Brasil é a emenda. Tem emenda no Senado, na Câmara. Eu pretendo continuar inteiro até o momento que eu rompa. Mas rompa por inteiro. Sem cola, sem goma arábica. Até porque aceito minha finitude. Possuído pela paz da descrença, não ambiciono céu, não tenho medo de demônio, não preciso de Deus pra nada. Vivo minha vida não em busca de recompensa, mas em busca da minha própria experiência. Experiência extraordinária que meu pai me concedeu quando penetrou minha mãe e despejou uma lava de espermatozóides em sua vagina. Fui o mais ágil, o mais rápido e o mais duro. Isso é um brinde. A existência é um brinde. Querer perpetuar isso é estupidez.
“O amor é uma espécie de preconceito. A gente ama o que precisa, ama o que faz sentir bem, ama o que é conveniente. Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece.”
Charles Bukowski
Quem não banca o vivo, acaba morto. Você é obrigado a ser fodedor ou
fodido, mentidor ou mentido. Tempos de o que me importa, de o que se há se fazer,
do é melhor não se meter, do salve-se quem puder. Tempo dos trapaceiros: a
produção não rende, a criação não serve, o trabalho não vale.
No rio da Prata, chamamos o coração de bobo. E não porque se apaixona:
o chamamos de bobo porque trabalha muito.
(Eduardo Galeano)





